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Corresponsabilidade: assumir sua parte liberta!

28 de julho de 2026 Francieli Teixeira 4 min de leitura

Entenda como a corresponsabilidade, conceito da terapia sistêmica, permite identificar sua participação nas dinâmicas relacionais e transformar padrões que machucam.

Corresponsabilidade: assumir sua parte liberta!

Uma das coisas que mais trabalho em psicoterapia é a possibilidade de olhar para nossa história e para o contexto em que vivemos sem perder de vista aquilo que podemos fazer com os recursos que temos hoje.

Na Terapia Sistêmica, compreender as relações significa também observar como nossas ações, respostas e formas de nos posicionar participam das dinâmicas que construímos com outras pessoas.

É nesse sentido que gosto de trabalhar com a ideia de corresponsabilidade.

Não para dizer que todas as pessoas são igualmente responsáveis por tudo aquilo que acontece em uma relação. Mas para fazer uma pergunta que considero muito importante na terapia:

Diante de tudo aquilo que eu não posso controlar, o que está ao meu alcance fazer diferente?

O que é corresponsabilidade na Terapia Sistêmica?

Na perspectiva sistêmica, buscamos compreender um comportamento dentro das relações e dos contextos em que ele acontece.

Pensa em um casal em que uma pessoa insiste em conversar diante de um conflito enquanto a outra se afasta. Quanto mais uma insiste, mais a outra evita a conversa. Quanto mais uma evita, maior pode ser a tentativa da outra de conseguir uma resposta.

Olhar para esse ciclo é diferente de perguntar apenas quem começou ou quem está certa.

Podemos tentar compreender o que acontece entre essas duas pessoas e como cada resposta influencia aquilo que acontece depois.

Isso é circularidade, um conceito importante dentro da Terapia Sistêmica.

A corresponsabilidade entra quando, além de compreender esse ciclo, conseguimos olhar para nossa própria participação e perguntar o que podemos fazer diferente.

Porque eu não consigo decidir como a outra pessoa vai agir.

Mas posso trabalhar a maneira como me posiciono diante dela.

Olhar para o contexto não significa retirar nossa responsabilidade

Esse ponto é muito importante para mim.

Nossa forma de lidar com conflitos, demonstrar afeto, estabelecer limites ou pedir ajuda não surgiu do nada.

Talvez tu tenha aprendido que discordar significava brigar. Pode ter crescido em uma família em que demonstrar sentimentos não era comum. Talvez tenha assumido responsabilidades muito cedo ou aprendido que precisava agradar para preservar relações importantes.

Conhecer essa história pode ajudar a compreender por que determinadas formas de agir aparecem hoje.

Mas compreender não é o mesmo que justificar.

Nossa história ajuda a explicar algumas escolhas, dificuldades e recursos que construímos. Ela não precisa determinar aquilo que faremos para sempre.

Ao mesmo tempo, seria injusto olhar para uma pessoa sem considerar as condições concretas em que ela vive.

Gênero, condições financeiras, trabalho, família, acesso a direitos, preconceito e tantas outras questões podem ampliar ou limitar as possibilidades que temos em determinados momentos.

Por isso, corresponsabilidade não é dizer: “se tua vida está assim, faça alguma coisa para mudar”.

É reconhecer o contexto e, dentro dele, perguntar quais possibilidades existem hoje.

Corresponsabilidade não significa dividir a culpa pela metade

Talvez esse seja o cuidado mais importante quando falamos desse assunto.

Nem toda relação é simétrica.

Existem situações de violência, abuso, coerção, controle, preconceito e desigualdade de poder em que não faz sentido dizer que “as duas pessoas contribuíram igualmente para a dinâmica”.

Uma pessoa não é corresponsável pela violência que sofre.

Também não podemos usar conceitos da Terapia Sistêmica para transformar violência em “problema de comunicação do casal” ou pedir que quem está sendo violentada descubra o que fez para provocar determinada resposta.

Isso seria culpabilização, não corresponsabilidade.

Considerar relações como sistemas não significa ignorar poder, gênero, desigualdades e responsabilidades diferentes.

Cada situação precisa ser compreendida dentro do seu contexto.

Como identificar nossa participação em um padrão?

Quando existe segurança para fazer essa reflexão, podemos começar observando aquilo que costuma se repetir.

Talvez tu reclame muitas vezes sobre a mesma situação, mas tenha dificuldade para estabelecer um limite.

Pode evitar conversas importantes porque teme o conflito e depois perceber que os incômodos foram se acumulando.

Pode responder imediatamente quando se sente atacada e, algum tempo depois, perceber que gostaria de ter conduzido aquela conversa de outra maneira.

Ou assumir tantas responsabilidades que as pessoas ao redor passam a contar que tu sempre dará conta de tudo.

O objetivo de perceber essas repetições não é encontrar mais motivos para se culpar.

É identificar onde existe alguma possibilidade de escolha.

Algumas perguntas podem ajudar

Quando tu percebe que uma situação está se repetindo, pode se perguntar:

“O que eu costumo fazer quando isso acontece?”

“O que acontece depois da minha resposta?”

“Eu ajo dessa forma em todas as minhas relações ou principalmente nesta?”

“O que eu gostaria que a outra pessoa fizesse diferente?”

“Eu já consegui comunicar isso de forma clara?”

“Existe algum limite que preciso estabelecer?”

“O que depende de mim nessa situação?”

“O que definitivamente não depende?”

Essa última diferença é muito importante.

Às vezes, gastamos muita energia tentando modificar aquilo que pertence às escolhas de outras pessoas e pouca energia pensando sobre os recursos que realmente estão ao nosso alcance.

Corresponsabilidade também é reconhecer limites

Nem sempre a mudança possível é conversar melhor.

Às vezes, é estabelecer um limite.

Em outras situações, pode ser pedir ajuda, deixar de assumir uma responsabilidade que não é nossa, construir uma rede de apoio ou reconhecer que determinada relação não pode oferecer aquilo que esperamos dela.

Também existem problemas que não serão resolvidos apenas com mudanças individuais.

Uma pessoa pode desenvolver muitos recursos para lidar com a sobrecarga no trabalho, por exemplo, mas isso não transforma condições precárias de trabalho em condições adequadas.

Uma mulher pode aprender a comunicar melhor a necessidade de dividir as tarefas domésticas, mas comunicação sozinha não resolve uma relação em que a outra pessoa simplesmente se recusa a assumir responsabilidades.

Contexto e ação individual não precisam competir.

Podemos reconhecer aquilo que deveria mudar nas relações, nas instituições e na sociedade e, ao mesmo tempo, trabalhar com os recursos que temos para viver da melhor forma possível enquanto essas mudanças não acontecem.

Como trabalho a corresponsabilidade na psicoterapia?

Na terapia, não me interessa procurar culpados.

Quero compreender contigo o que está acontecendo, como determinada situação foi construída, quais contextos atravessam essa experiência e quais recursos tu tem para lidar com ela hoje.

Às vezes, isso significa olhar para uma história difícil com mais cuidado.

Em outros momentos, significa perceber que entender por que fazemos alguma coisa não é suficiente e que precisamos experimentar formas diferentes de agir.

A terapia pode ajudar a trabalhar comunicação efetiva e respeitosa, construção de limites, relações familiares e afetivas, padrões que se repetem e diferentes formas de se posicionar diante daquilo que produz sofrimento.

Não existe uma resposta pronta porque nem todas as pessoas possuem os mesmos recursos, relações, condições materiais ou possibilidades de escolha.

Para mim, corresponsabilidade é justamente conseguir sustentar essas duas coisas: compreender aquilo que nos atravessa e reconhecer aquilo que podemos construir.

Terapia Sistêmica em Passo Fundo e online

Como psicóloga em Passo Fundo, trabalho a partir da Terapia Sistêmica buscando compreender as dificuldades dentro da história, das relações e dos contextos em que elas acontecem.

Isso significa olhar para aquilo que não depende apenas de nós, sem perder de vista as possibilidades que podemos construir a partir dos recursos disponíveis hoje.

Sou Francieli Teixeira, psicóloga, CRP 07/39825, especialista em Terapia Sistêmica e mestre em Psicologia. Realizo psicoterapia presencial em Passo Fundo/RS e atendimento psicológico online para pessoas de diferentes lugares do Brasil.

Se tu percebe que algumas situações continuam se repetindo nas tuas relações e quer compreender melhor tua participação nesses padrões, pode entrar em contato pelo WhatsApp para conhecer meu trabalho e agendar um horário.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui cuidados especializados.

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